Voltando à realidade?

A média de público dos dezesseis jogos da Copa das Confederações foi boa: 50.291 pessoas. Números ainda mais impressionantes quando comparados ao Campeonato Brasileiro de 2012, com 12.983 torcedores por jogo. Novos estádios, Brasil campeão, empolgação no ar. Seria a competição internacional a faísca necessária para enchermos nossos palcos? A princípio, parece que não.

Nos sete dias seguintes, um choque de realidade. A média de público pagante das séries A e B nesse período foi 13.821 e 3.594, respectivamente. O clássico pela Recopa Sul-Americana, entre São Paulo e Corinthians, contou com 31.691 pagantes.

Por dois motivos, seria pretensão em demasia por parte deste colunista acreditar que explicaria os motivos do cenário aqui no post. Primeiro, pelo curto espaço para o texto. Segundo, e mais importante, por não ter as respostas certas. O que está na sequência é um convite ao leitor para analisar algumas reflexões e ideias.

Finais e jogos decisivos invariavelmente têm público garantido. O problema são as outras tantas partidas com arquibancadas vazias. Aos clubes e federações, é urgente um tratamento melhor e mais interessado ao futebol, e o lembrete de que torcedores são pessoas apaixonadas mas também são clientes. O que não pode acontecer é acharmos que treze mil é uma boa média, e aguardar um jogo mais importante aqui e acolá para conseguir razoável renda e atmosfera – não é só pela grana, afinal, casa cheia deixa o futebol ainda melhor.

estadio-vazio

Levantamento do site Futdados, considerando o tamanho teórico de algumas das torcidas, mostra que seria necessário levar apenas um pequeno percentual das “massas” ao estádio. Para se ter uma ideia, se apenas 1,25% do total de flamenguistas do Rio de Janeiro e 0,91% dos corinthianos em São Paulo resolverem ir aos estádios, lotariam Engenhão e Pacaembu, respectivamente. Detalhe: o levantamento considera as torcidas das duas capitais, e não o total nos estados. É preciso levar esse público para jogos de menor demanda. E também entender que o futebol enfrenta concorrência.

E não caberia pensar nos fatores externos que envolvem o evento? Se soa utópico tentar mudar o horário das 22 horas, não poderiam os clubes trabalharem com os responsáveis pelo transporte dos municípios para disponibilizar linhas especiais? Ou arrumar parcerias com empresas de fretamento, realizando traslados a preços promocionais? São ideias que dão trabalho, mas é preciso pensar para sair da pasmaceira. Apenas abrir os portões, vender ingressos e esperar a torcida vir é pouco. É desinteresse.

Para encerrar essa breve reflexão, um argumento que nem sempre é debatido. Apoiar um time de verdade não depende de resultados ou da importância do jogo. Quando vemos que a média de público da última liga nacional foi menor do que a norte-americana, fico na dúvida: somos o país que mais venceu na história do futebol, mas será que somos a nação que mais gosta desse esporte? Estaríamos acomodados no sofá da sala? Pensemos.

Junior Lourenço é jornalista, editor do 30jardas.com.br – a comunidade do polo brasileiro; blogueiro de esportes das lojas Gaveta de Cueca e Loucos por Esporte; e colunista do Sportiz. No Twitter é @juniorlourenco e seu portfolio está no Behance.

Fontes: Trivela, Sr.Goool, Futdados e UOL esporte.

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