Descomplica, Conmebol

Galo-timao

Fosse você um organizador de eventos e tivesse em seu portfólio várias atrações de interesse, preferiria espalhá-las em datas distintas ou concentrá-las no mesmo dia, dividindo as atenções? A resposta mais óbvia parece a primeira. Menos para a Confederação que, teoricamente, cuida do futebol na América do Sul: nossa querida Conmebol, apenas uma federação latino-americana com dinheiro no bolso e cartolas pouco importantes.

Pois não é que as duas partidas referentes à Recopa Sul-Americana 2013 aconteceram na mesma data dos jogos decisivos da Copa Libertadores? Enquanto São Paulo e Corinthians se enfrentavam no Morumbi, o Atlético Mineiro perdia para o Newell’s Old Boys na Argentina, no primeiro duelo da semifinal da Libertadores. Duas semanas depois, o Corinthians conquistava o título no jogo da volta, na mesma data em que o Atlético entrou em campo para a primeira parte da decisão continental contra o Olimpia, no Paraguai. Tudo junto e misturado.

Atenções divididas para o que deveriam ser os únicos jogos de primeiro escalão do continente nas suas respectivas datas, caso tivéssemos um calendário saudável. A própria Recopa já acontece num período incômodo, considerando que o título corinthiano havia sido conquistado há mais de um ano.

Não sejamos inocentes. Fica difícil imaginar que essa situação não tenha sido derivada de um pedido (carinhoso) da televisão brasileira, por talvez acreditar que um jogo do Atlético não teria apelo nacional. As emissoras detentoras dos direitos televisivos estão defendendo seus interesses, o que é legítimo. Cabe a Conmebol bater o pé e pensar em suas competições e no público envolvido, tendo a imprensa e os patrocinadores como parceiros ao invés de chefes.

Parece muito pedir isso para uma Confederação que ao longo das últimas décadas inventou e excluiu vários torneios (Recopa, Copa Conmebol, Mercosul, Supercopa) e mal consegue explicar qual a frequência da Copa América. A Conmebol tem que saber o que ela quer. E os clubes precisam querer mudar essa várzea.

Junior Lourenço é jornalista, editor do 30jardas.com.br – a comunidade do polo brasileiro; blogueiro de esportes das lojas Gaveta de Cueca e Loucos por Esporte; e colunista do Sportiz. No Twitter é @juniorlourenco e seu portfolio está no Behance.

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